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Operação Cristo Rei 2012

Monumento do Cristo Rei sob as objectivas fotográficas de 9 a 13 de janeiro de 2012

Esta semana o Santuário de Cristo-Rei é alvo de uma megasessão fotográfica levada a cabo por uma equipa de técnicos no âmbito de dois projectos muito específicos e mais não digo. Portanto, caso se tenha decidido pela visita ao monumento ao longo desta semana e se cruze com estes elementos todos na parte superior do pedestal – junto à estátua – não fique preocupado(a)! Assumo todas as responsabilidades dessa súbita invasão. Até à revelação dos trabalhos finais, mais detalhes sobre esta misteriosa operação podem ser adiantados aqui no meu Facebook (apenas).

Laetitea

Laetitea via Facebook

Mais detalhes sobre esta iniciativa podem ser consultados em www.laetitea.info

Privatização da RTP

A RTP é parte do património dos portugueses e como tal privatizá-la significa deserdá-los (Laetitea)

O Estado representa e gere quem, sob forma democrática, o elegeu. Relativamente, ele vê-se no dever de preservar os valores fundamentais com vista a garantir um serviço público precisamente alicerçado nessas condições e a RTP simboliza isso mesmo. A Rádio e Televisão de Portugal – RTP - tem uma missão fundamentalmente exclusiva nos campos da informação e da difusão cultural. Compete ao Governo, consciente desta realidade e tendo presente a evolução previsível para o sector – audiovisual – na sequência da televisão à iniciativa privada, assegurar, proteger, desenvolver e/ou revitalizar os interesses públicos que representa a RTP.
Importa ainda realçar que, ao contrário de um serviço público prestado, bem ou mal, por iniciativa própria dos canais privados, um canal público vê-se na obrigação de o garantir. Ora, acresce que privar os portugueses de uma ferramenta enquadrada nesse tipo de obrigatoriedade, é submeter os cidadãos aos riscos e efeitos prejudiciais normalmente acarretados por privatizações mal conduzidas ou mesmo tendenciosas.
Esta privatização implica manusear (e desabilitar) ferramentas e mecanismos essenciais ao estado de direito. Qualquer imprudência ou precipitação irá impreterivelmente fracturar a prossecução de valores que não podem ser confundidos nem associados a estratégias do foro económico ou economicista.
Pior do que um povo pobre é um povo pobre e desprotegido! De facto este assunto reclama uma ponderação exigente!

Laetitea

Esta foi a reação e declaração de Laetitea na página pessoal – Facebook – do eurodeputado e vice-presidente do CDS-PP, Nuno Melo, na sequência do seu apelo à ponderação no caso RTP “Miguel Relvas diz muita coisa, mas a privatização da RTP tem de ser ponderada” publicado no jornal ‘i’ :

Laetitea via Facebook

Vacina contra cancro

Ilustração cancro do pulmão

Vacina contra o cancro do pulmão

«É com certeza uma excelente novidade. Onde “há fumo há lume”, independentemente do tamanho da chama. Contudo, no que se refere ao Cancro (terapeuticamente falando), o melhor é termos alguma cautela quanto a previsões ambiciosas. Vejamos, as terapêuticas que visam a cura definitiva do tumor – neoplásico – implicam sempre interesses do foro laboratorial, farmacêutico, etc., o que nos autoriza a considerar uma certa “inércia curativa” nesse percurso. A cronicidade da doença “talvez” seja estratégicamente mais rentável infelizmente. Confesso-me mais optimista quanto ao desenvolvimento dos meios de diagnóstico, precisamente pelas vantagens que estes acarretam em termos lucrativos. Os custos terapêuticos aplicados a cada doente oncológico são de facto elevadíssimos (veja-se o recente braço de ferro com a Roche) e é inteligente suspeitar dos vetores opostos que tendem contrariar a tão desejada cura. Eu bem sei que é macabro, mas um raciocínio frontal impõe-se nesta matéria. Também não retiro a minha confiança perante os avanços (e promessas) quanto ao processo curativo do cancro. Não é por mero acaso que certos fármacos actuais (ver anticorpos monoclonais) têm vindo a dar uma excelente resposta no território das hemopatias malignas apontando um vasto leque de leucemias e linfomas. Melhorar a sobrevida dos doentes, prolongando-a com qualidade sob tratamentos periódicos, é um negócio infelizmente mais rentável! É preciso enfrentar este assunto sem as “voltinhas ao bilhar grande”, isto é, se os avanços - actuais - não repousassem numa série de estímulos económicos, já teríamos dado, nesta altura, um passo bem mais à frente. Estou profundamente convencida de que a verdadeira resistância do cancro provém da “célula financeira”.»

Laetitea via Facebook

Lisbon & Estoril Film Festival 2011

 

Lisbon & Estoril Film Festival 2011

 

Si les quatre premières éditions de la manifestation, jusqu’en 2010, se sont savamment déroulées sous le drapeau d’« Estoril Film Festival » (ville d’origine), dorénavant enrichies d’une innovation importante dû à l’élargissement géographique, les prochaines s’affirmeront désormais sous l’entité rebaptisé « Lisbon & Estoril Film Festival ». Pour la première fois, le festival cinématographique se déroulera non pas sous l’échelle d’une seule ville mais celle d’une dualité harmonieuse étroitement liée, forment une ambitieuse dimension supplémentaire.

Cette année, au programme des prochaines séances du 04 au 13 novembre marquant le cinquième anniversaire de la manifestation, le « Lisbon & Estoril Film » accueille une fois de plus de nombreuses personnalités. Paul Auster, J.M. Coetzee, Peter Handke, Don DeLillo, Siri Hustvedt, Luca Guadagnino, Sophie Auster, Gidon Kremer ou K’naan, pour ne citer que quelques exemples.

Pour toute information – ciblée – détaillée concernant ce Festival (films sélectionnés en Compétition, Jurys, Palmarès, programmes, interviews, débats, événements, archives, etc.) et suivre toute l’actualité de la manifestation à travers des articles, photos et des vidéos ou tout autre éclairage axé sur ce festival :

www.leffest.com
(site bilingue. Il n’est disponible qu’en anglais ou portugais pour l’instant)


Je ne reviendrai pas ici sur les détails répartis dans les cinq éditions, car la plupart sont déjà évoqués dans le nouveau site (voir ci-dessus). Je voudrais plutôt mettre brièvement l’accent sur la bénédiction du diagnostic : si l’on tient compte de sa création en 2007, tout en reconnaissant l’autonomie et la particularité de l’inspiration du comité central présidé par Paulo Branco, ce festival annuel, en quelques éditions à peine, s’est affermi au cours de ces années pour devenir rapidement une importante manifestation mondiale concernant le cinéma, le haut-lieu de rencontre des cinéastes et des gens de culture intéressés par le septième art sur territoire portugais. Le cinéma portugais quant à lui poursuit son envol vers la gloire, mais dans des conditions difficiles. Economiquement, il est au creux de la vague il est vrai.

Mais revenons à notre festival. Personnellement je voudrais préciser : d’après la conception de l’histoire portugaise, le festival de Figueira da Foz (à deux cents kilomètres au nord de Lisbonne) – créé en 1972 dans le cadre des activités d’animation culturelle menées depuis 1954 dans une semi-clandestinité par le Centre d’Etudes et d’Animation Culturelle de Lisbonne – était au Portugal ce que celui de Banalmadena était à l’Espagne: une manifestation essentiellement culturelle, suivie par un public jeune et curieux, conçue à l’époque du fascisme comme une tentative de diffuser la culture cinématographique à travers les mailles de la censure. Avec la liberté retrouvée, ces deux festivals ont alimenté sans restrictions la boulimie visuelle d’un public longtemps sevré, tandis que sous le salazarisme, comme sous le franquisme précisons-le, ils ouvraient furtivement et brièvement une fenêtre sur un monde interdit. Le Festival Internationale de Cinema de Figueira da Foz termine sa course en 2002. À présent, le Portugal reprend son souffle festivalier et dans cette perspective le Lisbon & Estoril Film Festival parvient par sa estructure, sa qualité et son audace révolutionnaire à une remarquable (et héroïque) plongée culturelle en plein coeur du cinéma mondial.

 « Lisbon & Estoril Film Festival » carrefour de tous les cinémas en prise directe sur la réalité complexe du monde d’aujourd’hui !

     
     Laetitea

 

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Sous la férule de la Parole

Une caméra développant la « traversée des apparences » des faciès grimaçants, en plein coeur du cinéma muet, c’est le pouvoir absolu d’un soupire malin ou ridicule, d’un sourcil ou d’une bouche qui se crispe, d’un regard (la stratégie des regards) engoissé ou obsessionnellement redoutable. C’est aussi une prestation historique – de l’acteur – particulièrement guignolesque forçant l’intrigue drolatique ou encore un geste facile suggérant l’horreur ! À cela devait se greffer, jadis, un tas de clichés pour des raisons de grossissement du tissu (extra-)narratif, jusqu’a revêtir des aspects visuellement moins signifiants. C’est aussi un genre aujourd’hui totalement ignoré des jeunes générations de cinéphiles.

S’il y a un ordinaire du cinéma, on le cherchera d’abord dans ce qui a dominé si longtemps, dans ce qui aujourd’hui encore émerge du passé, dans le cinéma classique. Pas plus que la modernité, un classicisme – légendaire – du cinéma ne se laisse enfermer dans des dates, dans des définitions. On peut le définir par la fiction, par la mise en scène et la dramaturgie, par la transparence, par l’adéquation entre un mode de production et un mode de vision, par l’excellence dans le moyen, qu’importe : chacun en a sa définition, mais le cinéma classique existe, et il est américain !

Si désormais, le cinéma, qu’il soit français ou portugais (pour ne citer que les filmeurs qui me sont les plus proches), a pour idéal d’offrir au spectateur un monde de rêve, autant dire qu’il symbolise l’épreuve du langage complet (la télévision et le Net font d’ailleurs l’objet de notations équivalentes dans de nombreux cas). Précisément, cinématographiquement, il y a quelques décennies (…) le classicisme – diplodocus – américain a connu au moins un événement majeur, une véritable révolution, celle du parlant. Or, cette révolution a beaucoup tranché, comme toute révolution, mais d’abord et paradoxalement, dans l’image cinématographique. L’image muette était souvent tentée par l’Image, la métaphore, le figuré sinon le figural. Justement, le parlant est vu aujourd’hui, fréquemment, comme une sorte d’affranchissement de l’image, laissée libre de sereinement représenter le monde sans en véhiculer la lourdeur signifiante, et répondant enfin à cette supplique muette des personnages de l’écran : qu’on les dote de la pièce manquante « la parole ». Comme une mise en valeur par les teintes vives des dialogues !

« On ressent à la longue comme un agacement du mutisme obstiné de ces silhouettes gesticulantes. On a envie de leur crier : Mais dites donc quelque chose ! » (Brisson, 1908)

C’est-à-dire, pleurs, rires, colère, effroi, doit se produire sans la strangulation du silence. Le mime n’y suffit plus, il y faut une réalité sensible, presque tangible, que la prise puisse prendre, et donc, de nouvelles techniques d’acteur « sous la férule de la parole ». En gros plan, qu’est-ce qu’un acteur ? Un corps qui se déplace, qui mime, qui vaut pour une représentation chez qui cohabitent finement les extrêmes du silence assourdissant et de l’expression à mi-chemin? Éventuellement, dans certaines variantes comme la méthode Stanislavski, un être souffrant, exprimant, tâchant par tous les moyens de signifier qu’il vit, qu’il est en proie à des émotions. Bref, un corps, dans toute sa complexité. Hors du cinéma, l’art de l’acteur prendra parfois, pour avoir prêté excessivement attention à ce corps, des allures de rituel, d’ascèse ou de chamanisme (comme dans le théâtre européen de l’après-guerre). Parlons-en des années soixante : du point de vue (…) de la voix, dans le ciné américain, la « Méthode » (Strasberg) était devenue un mot de passe, un dogme ou même un miracle ; mais souvent, aussi, ses efforts contorsionnés ont été compris comme la preuve de son impuissance à produire réellement du corps. Aussi bien, aucune esthétique pratique du cinéma n’a-t-elle jamais été fondée sur une réelle considération du corps des acteurs.
Mais revenons à la prise.. qu’est-ce que la prise ? Le mot suggère la capture : il faut attraper quelque chose, mais quoi ? Du naturel, de la réalité, indéniablement, et ce qui obsède tous les acteurs dans les débuts du parlant, c’est de réussir à être naturels tout simplement ! L’idée a beaucoup circulé dans la conception hollywoodienne, elle a assurément hanté les acteurs durant tout l’âge d’or. Mais la prise ne capture pas seulement du “naturel”, ou du moins elle ne le capture pas seul. Ce qu’elle prend, c’est aussi le « contraste du temps qui passe ». Le passage du temps au naturel. Évidence ?! Pas entièrement. Le ciné a certes été inventé pour représenter avec le temps, des sautes, que le simple passage du temps.

Effectivement, pas de mots assez durs pour l’onéreuse et obérante visualité de l’image muette. A l’avènement du film parlant, le Serial (à ne pas confondre avec Série: suite d’épisodes complets mettant le même héros en scène) fut sans doute le genre cinématographique à franchir le cap difficile de la mutation avec le plus d’aisance.. J’en profite: La Universal Production, déjà spécialisée dans ce domaine depuis 1915, sera la plus grande productrice de Serials parlants, dépassant même en quantité – mais certainement pas en qualité – la célèbre Republic Pictures. La Columbia se classera troisième.

Bon, cela dit, les cinéastes – embourgeoisés – d’aujoud’hui n’ont rien à envier à l’époque Chaplin-Charlot, Lloyd, Keaton ou Langdon.. bricolant leurs textes, tirant à la ligne (ou la retirant). Toutefois il reste à noter vis-à-vis des textes (sous distribution étrangère) : en vérité, exceptés les plus méfiants, de nombreux cinéastes voient leur scénarios – sous-titrés – piégés par des traductions particulièrement infidèles. Ils oublient bien trop souvent que l’excelente traduction s’avère indispensable pour juger de la qualité de l’oeuvre ou le seul témoin de son authenticité ou originalité. À mon avis, à l’académisme en géneral, il n’y a pas de grands ou de petits sujets, comme « sous la férule des moindres détails » de l’audiovisuel, plus le texte est petit, plus on doit le traiter avec grandeur !

Laetitea

ESTORIL (PORTUGAL)

Un endroit. Un millier de sensations !

VÍCIOS FM


A relação entre as editoras e as rádios nacionais nunca foi muito saudável, existindo críticas severas ao comportamento das rádios de maior audiência em relação à música editada por cá e ao facto de os critérios das estações ou das ensombradas playlists das mesmas não serem nem transparentes, nem lógicos. Vejamos:


T
odas as editoras são unânimes em proclamar a necessidade de estabelecer regras entre rádios e editoras. Muitas rádios, por o seu lado, levantam a questão dos investimentos publicitários por parte das editoras. A situação económica da industria discográfica não é de grande conforto, pois embora possua um património de crescimento razoável, este não apresenta a desejável rentabilidade, revelando a existência de ineficiências e níveis de tributação que se julgam insatisfatórios. Todavia, as editoras consideram que para «investimentos» no sector radiofónico basta fornecer os habituais CDs de promoção, quando este último reclama uma outra aplicação de capitais nomeadamente em publicidade tradicional. Aliás, essa é uma crítica apontada de forma generalizada às editoras portuguesas: “as editoras não fazem publicidade” e ponto final. Mas, por o seu lado, as rádios continuam a arvorar bem alto a sua independência de critérios e, sobretudo no caso de algumas rádios nacionais, instâncias meramente comerciais.

Trata-se de mais um ciclo viciado no osciloscópio do mercado. Difícil de entender é certo, mas vejamos com calma: assistimos a uma transição entre a rádio com horários e programas que obedecem exclusivamente aos critérios (e disposição) dos seus autores, para uma sequência orientada tematicamente por critérios definidos para suas audiências. Mas que critérios são esses? Para além de existir raciocínio incompreensível, será possível não haver interesses individuais e/ou simplesmente uma vontade ditatorial sobre a programação nesses formatos «temáticos» ?!

Na prática, em Portugal as rádios – como as televisões – precisam das editoras, tal como se verifica a mesma fórmula no sentido inverso. É inaceitável que num país, como indústria discográfica cada vez mais lançada para o mercado internacional consoante minhas entusiasmadas convicções, existam conflitos desta natureza. Sobretudo quando as editoras continuam a precisar de incentivos para editar ainda (bastante) mais produto nacional e rádios nacionais a refutar irascivelmente o exercício das leis que obrigam à emissão de um mínimo de música em português. Leis essas, actualizadas com alguma frequência (…), justas e, para quem entende desta matéria, facilmente concretizáveis. É pena que, neste caso, tal como nas cotas de produção europeia em canais de televisão, o Estado português continue igualmente pouco viril no seu papel de fiscalizador, esvaziando e ridicularizando, cada vez mais, as suas próprias algaraviadas políticas ou fazendo tábua rasa do empobrecimento do seu espólio cultural (ver blogs anteriores abordando o tema).

Conforme atestam alguns dirigentes da produção musical, pôr a tocar aquilo que se faz por cá tende a ser tarefa de surdos “as rádios não dificultam, bloqueiam simplesmente a via!”. Basta consultarmos a Music Control na França, Itália ou vizinha Espanha, entres as 20 ou 30 primeiras faixas tocadas nas emissoras, apenas algumas não são nacionais. Em Portugal o lema continua com o passo trocado e dá-se precisamente a mesma regra, mas no sentido contrário. Passo a exemplificar o fenómeno: ainda «catraia» a saltitar entre França e Portugal, já assistente neste «bordado» do audiovisual por outros motivos, acompanhei de muito perto todas as «malhas» de preparação num dos prestigiados projectos boys band. O rigor da estratégia com que foram seleccionados os colaboradores, desde músicos, produtores (áudio e vídeo), realizadores (TV), direcção de moda, designers gráficos, road manager (espectáculos), etc.. marcou-me profundamente. Um investimento agressivo e incalculável. Quem aparece no palco e/ou o que se vê na tela (ou ecrã) encapuza a fúria dos bastidores, isso já eu sabia. Mas os conflitos de interesses, que nunca deveriam ser tolerados, revelaram (me) a verdadeira brutalidade do market share. Uma época infernal para o(a)s profissionais, na qual o único armamento eficaz resultou de uma excelente formação (continuada) profissional aliada a um «potenciómetro neurológico» de aço. Grandes administradores como o Rudi Steenhuisen (na altura director de marketing na sequência da saída de Rodrigo Marim), habituado ao procedimento holandês, ao enfrentar forte resistência contra a Polygram, depressa se viram minados numa viperina acção de boicote ditada pela industria portuguesa (rádio e televisão).
Outro episódio, que disparou – nivelou – ferozmente a minha evolução, em que o responsável pelo management dos Wonderland, em plena época de promoção da banda, pergunta a uma rádio (que não cito por razões óbvias) qual o motivo para não tocar o single de lançamento, ao que a emissora alegou única e exclusivamente conflitos com a direcção (Mercury) e consequentemente não passar nada da Universal (então ainda Polygram). Um mero exemplo sobre o handicap com que se negoceia Arte (em geral) em Portugal. Em televisão, naquela altura, num canal pelo qual tenho um profundo respeito, não só por ter feito parte da minha formação, mas porque é uma televisão com meios de produção condignos e que igualmente possui mérito no seu trabalho, acabou prejudicado vítima de uma empresa de licenciamento de repertórios viciados. Nesse mesmo ano o caso «Santa Claus» paradoxou outro infeliz episódio.


Lição conclusiva:

Investir em televisão, ou rádio neste caso, é uma ciência de evolução diária. Nesta indústria não há poeira mágica que cegue o público. Se, com a sórdida conflituosidade ente rádio e editora a asfixiar a divulgação, o mercado não facultar o material procurado, há muitos elogios, mas não há compra. O auditório português deu provas que sabe ouvir (e ver), tratá-lo com respeito é o único charme capaz de o conquistar. Pode ser em idioma «estranhês», se o produto assentar nos parâmetros artísticos da plateia, vende. Oriundos das diversas elites sociais, muitos foram os que alvejaram e vaticinaram a performance do expositor “música ligeira” cantada em português para portugueses. Atingidos pelo fulgor platinado que lhes saiu pela culatra, uma boa parcela desses conceituados atiradores não teve outra solução senão vergar os seus empáfios preconceitos para aparecer na mesma prateleira. O caso é demasiado óbvio e as apresentações inúteis. A música cantada em português prossegue pela mesma fileira, só que desta vez a concorrência habituada a golpes baixos já não arrisca «tiros no pé». Quando se faz rádio ou televisão e se quer andar na «boca do povo», vai-se com ele à missa. Não é preciso meditar muito à sombra do chaparro para decifrar soluções elementares refrescantes. A época batoteira já lá vai. O mercado tem vindo a galgar os cercados manhosos, principalmente pela agilidade tendencial com que gerações regressivas da emigração tripulam a descida ao «poço da vergonha» dos nativos, afim de devolver à luz do dia lusitano a cintilação do brio paterno. Veja-se a recente «recauchutagem» do fado. Nesta indústria não há dois pesos duas medidas. Portugal atravessa um conceito novo no âmbito da sua afirmação produtiva. Felizmente, actualmente em televisão ou rádio, «sacar o tapete do vizinho» (regra muito comum de quem não sai da «cepa torta» e cuja sabedoria única nunca teve outra habilidade senão para o fracasso) deixou de atrapalhar as ambições qualitativas. O rodapé não é obstáculo quando se pretende alcançar o tecto.É uma simples questão de tempo. Hoje, apesar dos meus ínfimos oito anos de experiência, tenho o privilégio, o orgulho e a honra de pertencer a um núcleo remetido a uma metodologia exemplar quer nas propostas, inovação, rigor e consequentemente nos créditos obtidos.

Fala-se muito em meros “modelos taxativos” em televisão, por parte dos desentendidos nesta matéria, mas em termos de projectos musicais, que é o cerne deste artigo, o processo não foge à regra: um bom projecto, aqui refiro-me a uma proposta capaz de recensear uma operação séria e é sempre útil sublinhar que nesta indústria a facturação inicial raramente obedece a plafonts situados abaixo da centena de milhares de Euros, acarreta sempre princípios contabilísticos (de prudência) e por isso mesmo requer medidas “sérias” que garantam o seu espaço na radiodifusão. É a única fórmula capaz de proporcionar ao público o acesso à obra.
Nesta questão assumo uma posição extremamente inflexível: seja ele rotulado de “música fácil” quando agrada ao povo e/ou denominado de “música educadora” para satisfazer determinadas minorias, todo o projecto assinado com qualidade acaba por sortir efeito.

Em Rádio como em Televisão, privar a audiência – ou assistência – da qualidade, em nome de alguns caprichos pessoais, é endividar-se perante o futuro, travando o processo giratório do nosso globo cultural.

 
Laetitea

 

 

FLORESTAS LIMPAS

 

 

Florestas Limpas

Apesar do notável crescimento (75 %) relativo ao desenvolvimento rural do passado século, cerca de 21 % dos mamíferos; 30 % dos anfíbios; 28 % dos répteis e 12 % das aves estão em vias de extinção hoje. Se também é proprietário(a) ou mesmo produtor florestal, em nome de todo(a)s aquele(a)s que se vêem – anualmente – alistado(a)s no combate à fúria dos incêndios muitas vezes a troco da própria vida e/ou em nome da disciplina ambiental (preventiva), limpe a sua floresta!

nota: este exposto é uma versão não comercial e como tal, à semelhança do restante conteúdo enquadrado neste formato (personalizado), a sua utilização encontra-se sugeita às restrições promulgadas nos Termos do site oficial.

TOUR 2011

Tour EiffelTOUR 2001 (photos)

Les Vertiges du Succès


Le fameux journaliste portugais, âgé de 65 ans, fût victime d’un étrange meurtre vendredi dernier. Les obsèques du journaliste se dérouleront aujourd’hui, sous extrême discrétion, aux alentours de New York.
De nature toutefois assez prématurée, au risque de déflorer trop tôt l’énigme, l’enquête sur les circonstances culminantes de ce sinistre meurtre semble engloutir pleinement Renato Seabra, un jeune mannequin de 21 ans. Les nombreux témoignages corroborent ce propos. Les ambitions professionnelles du jeune homme s’avèrent peu à peu la source de cette liaison, particulièrement galvaudée d’une folie apparemment meurtrière.

Traumatismes crânien suivi d’étouffement serait à l’origine de cette impressionnante mort (je vous épargne le gros plan détailler de cette torture, puisque le sensationnalisme sanguinaire n’est viscéralement pas le but de cet exposé). D’après les récentes informations newyorquaises, le jeune homme aurait déjà avoué le crime ainsi que la dualité de toute une mise-en-scéne émotionnel (homosexuel) qui avait pour seul but empoché le succès professionnel. Célèbre et irrémédiable chute d’une adolescence de plus à grand galop sur les tranchées assombris des raccourcis qui, soi-disant, mènent à un autre type de renommé!

Cet inquiétant exemple nous est âprement offert comme une sorte d’échantillonnage (frappant) des effets morbides au détriment du désordre éthique d’aujourd’hui, illustrant un idéal – néo-réaliste – de société entièrement actuelle, remettant en question notre a priori sous-estimé à l’encontre de telle détermination (sanglante). Nous devons par conséquent admettre : les souterrains du Vedettisme à la carte ; popularité ou succès à technique miraculeuse.. etc., la réflexion s’impose désormais (d’ailleurs très prochainement dans une chaîne de télévision portugaise)!

Ciblant le sommet triomphant (éphémère précisons-le), le nouveau type de célébrité (plutôt ridicule trop souvent je l’avoue) prêt à n’importe quoi a trouvé là matière à suivre sa pente mortifère, sa pente létal et néantisante. Ici le succès a plutôt joué l’excès. L’aveuglement hanté – obsessionnellement facile – de toute fraude ambitieuse en quête de gloire – bizarrerie – protagoniste est la menue monnaie de la perte des valeurs professionnelles (y compris moraux) chez toutes les activités à accessoires médiatiques. Dans le milieu nous tutoyons déjà la genèse de cette “maudite croyance” , aussi, faut-il le souligner, sous une expérience plus ou moins mûr, la plupart de ses pratiquants sont décelés assez rapidement.

J’ai toujours été sensible au fait que les gens admettent rarement de se reconnaître tel qu’ils sont. Cette négation peut être prise dans un sens plus large. À partir du moment où ils refusent l’authenticité, voulant devenir quelqu’un d’autre, la folie est plus ou moins borgne.. notamment lorsque l’horizon cible particulièrement le monde du spectacle, cette folie correspond à un intraduisible caractère officiellement aveugle. Disons sans détour que l’éthique humaine consiste à savoir ce que l’on est.
Phénoménologiquement parlant, cette déformation humaine vise le monstre; la bestialité de l’âme; le non-humain, quitte à devoir parfois, pour le trouver, se réfugier dans un fantastique de pacotille.
De façon plus générale, une vedette ne devrait pas tomber du ciel (…), mais plutôt du résultat, teinté de netteté, d’une histoire équipée d’un vaste parcours clairement explicable. Par ailleurs, si considérable ait été son évolution vers l’artisticité (dans les termes qu’on voudra : plutôt intentionnels-créatoriels, plutôt institutionnels-spectatoriels), la sphère artistique ne peut se rendre au profit de tel “terrorisme“.

En résumé…

Malheureusement, là où les (pseudo-)stars s’étoilent, la popularité flotte (trop) souvent à coup de prothèses artistiques, comme un sur-maquillage peignant scrupuleusement la plasticité d’un marché dé-visagéifié de repères exigeants ou même de talents.

Bref, dénué de sens, dénué de valeur, dans ce cas (foncièrement extrême) comme dans bien d’autres fort heureusement beaucoup moins tragiques, l’étrange procédé hausse plaisamment le triomphe de la défaite sur fond d’un futur deux fois perdu.

        
         Laetitea

 

 

Estoril Film Festival (2010)

Estoril Film Festival 2010
Cet article peut être visualiser à partir de la Web-émission participative pour la communauté des médias de Radio France Internationale (RFI) ou directement à l’adresse de l’élément source du même document : www.laetitea.info

TRAIÇÃO FETAL

A circunstância do meu envolvimento no seio da Prevenção do Cancro autoriza-me a uma reanálise destas questões e um renovado interesse pelas possíveis soluções, à luz do confronto da própria experiência no sector com o auspício directo de reputados médicos e sociólogos. Mediante a OMS que previu, recentemente, uma duplicação do cancro para as próximas duas décadas e o presidente do Colégio de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos (Jorge Espírito Santo) a reforçar, há dias, a sua preocupação perante uma crise que ameaça afectar o acesso às terapêuticas – recentes – adequadas, antecipo, aqui num formato talvez mais pessoal e singelo, a abordagem de um tema cujo desenvolvimento tem sua difusão prevista para Outubro próximo, nos meios adequados como é óbvio. Tratando-se, este, de um «apanhado» simplificado destinado a determinados grupos de leitores, permitir-me-ei pronunciar-me, aqui, sem grandes detalhes quanto à esfera biológica e/ou epidemiológica.


Um pouco de história

A planta do tabaco ou «petum» é originária das Américas. Em 1492, na ilha de S. Salvador (Antilhas), foram avistados indígenas atidos ao perfume de certas ervas. Anos mais tarde (1500), os marinheiros do Pedro Álvares Cabral tinham visto naturais das terras então descobertas (Brasil) aplicar sobres as feridas uma erva, fumá-la e/ou aspirar as suas folhas secas e reduzidas a pó. Há indícios que permitem admitir que, poucos anos depois, a mesma planta era já cultivada em Lisboa nos jardins reais, embora a sua plantação em Portugal seja frequentemente atribuída a Luís de Goes (1530). Já agora, em España, a preciosa planta terá sido introduzida pela mão de Rodrigo de Jerez, companheiro de Colombo, em 1498. De forma segura se pode afirmar que a erva do tabaco era utilizada como medicamento em Lisboa, em meados do século XVI. Foi encontrada uma carta, datada de 26 de Abril de 1560, enviada por Nicot (embaixador de França na corte de D. Sebastião) ao cardeal de Lorena, onde eram fortemente gabadas as virtudes curativas da planta exótica. Os efeitos da planta depressa convenceram a rainha Catarina de Medicis e assim ficou o nome de Nicot ligado para sempre à designação botânica. Em 1565, Lonitzer a denomina de «Nicotiana», mas essa designação só é definitivamente consagrada dois séculos depois por Linneu. Depressa as sementes são espalhadas pela Europa. A expansão do comércio marítimo encarrega-se de tabaquear o aroma natural do resto do planeta.

Hoje sabe-se que essa extraordinária divulgação não foi devida às virtudes terapêuticas – que na realidade não possuía – mas sim ao gosto e prazer que proporcionava através da sua forte acção geradora de dependência. Como qualquer outro vício danado, a tabacomania nunca negoceia com as mentes fracas dos humanos e a comercialização do vício não tardou em se transformar em negócio dos mais rendosos. Hábeis nas invenções fiscais, rapidamente os governos juntaram-se ao festim e começaram então a auferir proventos cada vez mais substanciais com impostos sacados da cartola estatal.. Até que o clínico francês Buisson dê o alarme em 1859. A partir dessa data os principais beneficiados do negócio tentaram a todo custo silenciar os ecos da maldição do consumo. Os laboratórios foram identificando os factores oncogénicos do fumo, tais como químicos de elevado peso molecular na ordem dos hidrocarbonetos: benzo-a-pireno, dibenzo-a-h-tolueno, dibenzo-a-i-pireno, etc.. Mas há muitas substâncias – mais de 1000 – tais como arsénio, cobre, crómio, acetona, alguns pesticidas também.. enfim, escusar-me-ei, continuar, o resto da “miscelânea” é de fácil dedução.

Por isso, agora sim, vamos a números: até há bem pouco tempo, trezentas mil mortes por ano nos Estados Unidos, cinquenta mil na Grã-Bretanha e cem mil no Brasil, etc. A lista é longa e os valores ultrapassaram o inimaginável tolerável.
O vício não se contenta em “ceifar” na carteira, a saúde desaparece igualmente pelo mesmo “cano”. Pelo que as consequências também arrepiaram os cofres do(s) Estado(s). O reverso do brilhante negócio acarreta prejuízos que rondam os milhares de Euros por cada doente e a dimensão do orçamento estatal comprometido obrigou o executivo a pensar melhor. Foram então legisladas medidas redutivas, consciencializando os consumidores sobre os efeitos perniciosos do tabaco e, recentemente também em Portugal, alicerçadas nobres poupanças na saúde dos fumadores passivos (sob protestos dos fumadores). Já agora: num futuro próximo, soluções igualmente intransigentes são a considerar perante o fenómeno consagrado ao álcool, apesar da forte pressão exercida por parte das associações / institutos vitivinícolas.


Tabacomania feminina

Se pensa que o Tabaquistãoé algo parecido com o Clube da Luz, desengane-se! Em muitos países, nas últimas décadas, elas (minhas conterrâneas de género) tornaram-se também grandes apreciadoras do canudo. Não só aumentou consideravelmente o número de consumidoras e a média de cigarros fumados, como baixou, muito nitidamente, a idade de início do hábito. Enquanto no post-guerra as mulheres começavam a fumar entre os 20 e os 30 anos, hoje adquirem o hábito sensivelmente na mesma idade dos rapazes, isto é, por volta dos 13 anos. Consequentemente, conforme atestam indicações emitidas pela Direcção-Geral de Saúde, tem-se vindo a verificar, nas mulheres, um aumento progressivo da incidência das doenças relacionadas com o tabagismo: bronquite crónica e enfisema, enfarte do miocárdio, cancro do pulmão, etc. Esta última doença que, quarenta anos atrás era considerada quase exclusiva do sexo masculino, está actualmente a atingir, na mulher, proporções nunca anteriormente constatadas.

Não é por acaso que no «Dia Mundial sem Tabaco» tem-se vindo a reforçar o apelo numa estratégia tendencialmente direccionada para as «elas». Confrontada com a previsível perda de quase metade dos fumadores actuais, praticamente no fosso da morte prematura devido a doenças relacionadas com a rotina tabaquista, a indústria tabaqueira logra na comunidade feminina uma enorme oportunidade, sustenta a Organização Mundial de Saúde (OMS). O «Marketing de arremesso» procura nicotizar a população (feminina) jovem, que é a faixa etária onde se tem registado um maior acréscimo de consumo. O recurso à elegância, sofisticação, glamour, atribuindo-lhe o efeito “redutor de apetite” e/ou embalagens angelizadamente desenhadas fazem parte da astuciosa táctica aplicada ao tenebroso cilindro.

A situação não é exclusiva de Portugal, em Inglaterra, entre 1959 e 1973 o coeficiente de mortalidade por cancro do pulmão nos homens aumentou de 8 %, o que significa um certo abrandamento do crescimento em relação aos decénios anteriores. Ora, no mesmo período de tempo, nas mulheres, verificou-se um crescimento do coeficiente de mortalidade por essa doença, da ordem dos 50 %.
Outro exemplo: nos Estados Unidos, para o sexo feminino, os coeficientes de mortalidade por cancro do pulmão, que rondavam os 4,7 em 1950, subiram para 19,5 em 1976. Em 1978, nesse mesmo território, a doença ocupava já o segundo lugar no ranking das neoplasias mais frequentes na mulher, prevendo-se que ultrapassaria, dentre de pouco, o cancro da mama, o então líder da tabela. E, de facto, assim aconteceu: nos Estados Unidos, o cancro mais mortífero para as mulheres é já, na actualidade, o cancro do pulmão.

França na escapa à regra, segundo a epidemiologista Catherine Hill (Instituto Francês de Vigilância Sanitária), a bronquite crónica obstrutiva é hoje titular de mais de 16 mil mortes por ano. Em 10 anos, a taxa de mortalidade por essa bronquite aumentou em 21% para homens e 78% para mulheres.

Nesse mesmo país, em 1990, sem descriminação de géneros, mais de 50 000 óbitos foram rubricados só pela mão do tabaco e do álcool juntos. Em relação a esta famosa dupla, igualmente muito amiga dos portugueses, uma nota: alguns dos principais cancerígenos do tabaco, como o já referenciado benzo-a-i-pireno, são solúveis no álcool, o que explica a maior incidência relativa ao cancro da boca, faringe e esófago nos fumadores que, simultaneamente, são bebedores excessivos. Outros cancros como o do pâncreas, do rim e da bexiga são igualmente namoradeiros do tabaco. A colecção de neoplasias fertilizáveis pela acção «iniciadores tumorais» do tabaco é de facto assustadora.

Afastando-me de qualquer pretensão nos estudos epidemiológicos descritivos ou analíticos, a de notar: além do tabagismo exercer, pois, no sexo feminino, as mesmas acções nocivas que se verificavam no sexo oposto, o organismo da mulher metaboliza com mais dificuldade os produtos carcinogénicos da nicotina, daí mais susceptível de desenvolver complicações. Portanto, nada de tentar imitar os rapazes para se merecer notoriedade ou, a médio prazo, essa «triste igualdade» vai repercutir-se na incidência de uma formosa neoplasia pulmonar de saia e saltos altos, conforme certificação do oncologista António Araújo (IPO). Ora é, precisamente, neste ponto que se situa a dinâmica da minha publicação de hoje.


Tabagismo e pílula

Como já vimos, fumar constitui um factor de risco considerável de desenvolvimento de doenças cardio-vasculares, nomeadamente de trombose coronária ou enfarte do miocárdio. Mas o uso de medicamentos anti-concepcionais orais pela mulher, exerce efeitos do mesmo tipo. A associação desses dois factores – uso habitual da pílula aliado ao tabagismo – aumenta os efeitos nocivos de cada um deles. Dados oficiais publicados nos Estados Unidos indicaram que o uso habitual dos anti-concepcionais orais, por si só, determina um aumento da taxa de incidência de enfartes do miocárdio, de 50 %, nas mulheres acima dos 30. Mas quando se associa ao uso da pílula, hábitos tabágicos, a taxa de enfarte sobe extraordinariamente até aos 75 %.

Investigações levadas a efeito em Inglaterra, envolvendo dezenas de milhares de mulheres, apontam no mesmo sentido, mostrando igualmente uma incidência muito mais elevada de enfartes nas mulheres que, sendo fumadoras, fazem uso dos anti-concepcionais orais.

Também a incidência de hemorragias cerebral e de trombo-embolia de outras localizações são mais frequentes nas mulheres que tomam este medicamento (incidência 6,5 vezes maior em relação às mulheres que os não tomam). Essa incidência aumenta para 22 vezes mais em mulheres fumadoras.

Há, pois, evidência inequívoca de que os anti-concepcionais orais e o tabaco têm acções sinérgicas, sendo o acréscimo de risco resultante do seu emprego simultâneo suficientemente importante para se considerar que o tabagismo é “contra indicação” para o uso da pílula. Mas mulheres a partir dos 30 anos de idade que não conseguem (…) deixar de fumar, devem abster-se de usar os anovulatórios e adoptar métodos anti-conceptionais alternativos (condignos). Sobre esta matéria, não faço comentários elementares. Se, com esta publicação e não só, viso apoiar, alertar e proteger o(a)s mais fragilizado(a)s, manter-me-ei fiel à coerência dos meus princípios morais, com ou sem leis coercivas ditadas pelas maiorias.

Retomando o “fio à meada”: foram analisados os dados referentes à idade do estabelecimento da menopausa, em 57 000 mulheres, em estudos efectuados nos Estados Unidos e em vários outros países. Todos os exames indicam de forma concordante, que o uso do tabaco antecipa a idade da menopausa, verificando-se uma relação de tipo dose-resposta, isto é, quanto maior é o número de cigarros fumados diariamente, mais precocemente se estabelece a menopausa. Admite-se que a acção dos agentes tabacais sobre o sistema nervoso possa ter repercussões sobre as secreções hormonais que regulam o período de fertilidade feminina.


Fertilidade e gravidez

Esta acção do fumo do tabaco deve ser encarada como uma das mais dramáticas, exercidas indirectamente sobre o(a)s que não fumam. O feto de mãe fumadora deve ser considerado o símbolo do «fumador passivo» – que sofre, sem qualquer hipótese de defesa (ou queixa na APAV), os efeitos prejudiciais da tabacomania, veiculados através do organismo materno.

Os recém-nascidos cujas mães não se abstém de fumar durante a gravidez apresentam uma média de peso inferior à normal. O baixo peso ao nascer constitui factor de risco de mortalidade nos primeiros tempos de vida. Diferenças de peso que variam de 150 a 280 gr são encontrados em cerca de 30 % dos recém-nascidos de mães dependentes do fumo.

A incidência de prematuridade, traduzida por recém-nascidos com peso inferior a 2,500 kg, é também mais elevada nessas mães. Outro estudo incidido sobre 200 000 partos, mostrou que, em mulheres que teimosamente continuavam a puxar pelo cigarro durante a gravidez, a incidência de prematuros foi 50 % superior. Paralelamente, as investigações mostram ainda que o menor peso ao nascer das crianças filhas de gestantes fumadoras, é um fenómeno geral, e isto independente da raça, das condições socio-económicas e/ou da distribuição geográfica.

Estudos prospectivos levados a cabo em vários países (e posteriormente confirmados por análises cuidadosas a fim de afastar eventuais erros por interferência de factores acessórios), permitem concluir que o número de abortos espontâneos entres as gestantes fumadoras é quase duplo do que é constatado nas não fumadoras. A incidência de anomalias congénitas, em especial cardiopatias, aumenta consideravelmente em sujeitos oriundos de uma gestação minada pela tabaquista.


Conclusão

Uma gravidez interrompida (mortalidade perinatal), dar à luz nado-mortos ou ainda, com maior frequência, deixar ao mundo uma descendência com poucas condições de resistência (com sequelas permanentes) são habituais, embora se desconheça ainda todos os efeitos que os numerosíssimos componentes do fumo porventura exercem no conjunto constituído pelo organismo materno, sistema útero-placentário e compleição fetal.

Apesar deste texto conter alguns detalhes embaraçosos, ocultei os mais aflitivos. A nós, mulheres, foi-nos confiado uma das mais nobres tarefas ao serviço da vida: o futuro. Ao aceitá-la, é nossa mais profunda missão honorificar cada esforço, cada sopro, dado que a base para a aliança das sucessivas gerações repousa no cumprimento de todos os valores primordiais exigidos. A dignidade do simbolismo feminino não se resume a tristes exuberâncias empunhadas de direitos, neste ponto, como, aliás, em tantos outros, exercidos com egoísmo ou ignorância. A dignidade é reguladora da liberdade!

Laetitea

 

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